Universidades federais do RS perdem R$ 44 milhões no orçamento e reitores alertam para 'escolhas cruéis'
10/01/2026
(Foto: Reprodução) Universidades federais do RS perdem R$ 44 milhões no orçamento
Um corte de R$ 44 milhões no orçamento das universidades federais do Rio Grande do Sul, aprovado pelo Congresso Nacional, ameaça o funcionamento das instituições de ensino neste ano, segundo as reitorias. A redução de verbas impacta desde serviços essenciais, como segurança e limpeza, até projetos de pesquisa e a assistência para estudantes.
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a maior do estado, sofreu uma redução de R$ 14,5 milhões em um orçamento previsto de R$ 200 milhões para 2026. A instituição, que tem 35 mil alunos de graduação e 12 mil de pós-graduação, depende de serviços terceirizados para mais da metade de sua limpeza, segurança e portaria.
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A reitora da UFRGS, Márcia Barbosa, alerta que a situação pode levar a decisões difíceis.
"Eu vou ter que fazer escolhas. E as escolhas vão ser cruéis, porque eu vou ter que escolher entre alimentar os estudantes que têm entrado pelas cotas sociais e raciais, ou eu vou alimentar os bichinhos que a gente tem na nossa estação agronômica. Quem é que vai morrer de fome?", questiona.
Na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), o corte de R$ 3 milhões pode comprometer projetos como o da Clínica da Família. O espaço, quando finalizado, abrigará atendimento médico, odontológico e psicológico gratuito para moradores do centro da capital, mas sua manutenção depende de verbas.
O pró-reitor de Planejamento e Administração da UFCSPA, Magno Carvalho de Oliveira, afirma que a universidade não tem mais de onde cortar despesas.
"Nós já reduzimos postos de segurança, já reduzimos contratos que poderíamos reduzir, não temos mais espaço para reduzir", disse.
Em Santa Maria, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foi atingida por um corte de R$ 11 milhões. Já na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a situação é considerada grave. Com as contas no vermelho, a instituição já suspendeu aulas práticas, saídas de campo e ações com a comunidade. Além disso, vendavais e chuvas recentes aumentaram os custos de manutenção. "Estou com três prédios em função de obras de telhado. Dois interditados", relatou a reitora Úrsula Silva.
Ao aprovar o orçamento da União, deputados e senadores retiraram 7% do valor previsto para as universidades federais em todo o país.
"O nosso déficit, ele vai num efeito cascata, uma bola de neve. Eu espero realmente que o Congresso repense essa política, porque o país que quer crescer depende da educação", declarou a reitora da UFPel.
A proposta ainda depende da sanção do presidente Lula. Caso o corte seja mantido, as instituições dependerão de uma recomposição de valores pelo Ministério da Educação (MEC). Para a reitora da UFRGS, o recurso foi retirado pelo Congresso "para engordar as emendas parlamentares que passaram de R$ 50 bilhões para R$ 60 bilhões".
O impacto dos cortes orçamentários se estende à produção científica nacional.
"Hoje, as universidades federais, elas são responsáveis por 90% do que é produzido em pesquisa nesse país. Todo corte orçamentário vai impactar nessa entrega para a sociedade", finaliza o pró-reitor da UFCSPA, Magno Carvalho de Oliveira.
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